Fazer uma faxina as vezes cai bem

Domingo passado, baixou o espirito “ arrumadeiro” em mim. Acordei cedo, amarrei o paninho na cabeça e selecionei a playlist da faxina. Assim que comecei os trabalhos já esbarrei em uma tonelada de lembranças. Achei o caderno do primeiro ano do ensino médio com a capa toda rabiscado com os nomes dos meus amigos, de bandas de Rock alternativo e frases do tipo “ BFF – juntas até o fim”. É claro que me bateu aquela nostalgia. Lembrei de como eu era 6 anos atrás, um desastre. Sim gente, meus trajes preferidos eram calça xadrez, uma camiseta da banda favorita da época e um All star surrado.  A saudade daquela época passou rapidinho, foi só lembrar do meu cabelo, usava uma franja indefinida algo parecido com um Skye Terrier. Um horror!

Continue a arrumação deixando assim, o momento lembrar é reviver de lado. Foi então que encontrei um cartão embaixo do colchão. Nele estava escrito: “amor – sentimento que induz a aproximar, a proteger ou a conservar a pessoa pela qual se sente afeição ou atração.” É, acho que eu te amo. Feliz aniversário! 22/05/2010. Fiquei olhando fixamente para aquele cartão por dez segundos enquanto minha mente se encarregava de fazer uma viagem há 4 anos atrás. Então eu sorri, suspirei e senti uma saudade boa, mas, meus pensamentos amorosos foram interrompidos pela frase pouco sutil “Ranieeeeele, abaixa o volume desse home theater senão eu vou ai quebrar sua cara. Mamãe estava de TPM, não quis por minha vida em risco. Então, abaixei o volume imediatamente e guardei aquela lembrança na terceira gaveta da minha cômoda.

O meu dia de diarista estava chegando ao fim ( para minha alegria), só faltava arrumar a tenebrosa quarta gaveta. Sempre evito a quarta gaveta porque é lá que guardo a saudade quando ela ainda machuca. Lá, encontrei umas cinco cartas, um colar com pingente no formato de chave que possivelmente abria o coração de alguém, uma vaquinha de pelúcia e uma foto da minha Vó de dez anos atrás. Não tive nenhum problema com as cartas, nem com o colar tampouco com a vaquinha mas, quando vi aquela foto senti um nó na garganta, meus olhos transbordaram melancolia. Eu chorei feito uma criança que derrubou o doce preferido.

Morei com a D. Nilza, durante 13 anos (os melhores) da minha vida, mesmo visitando-a nas férias ainda não consigo lidar com a sua ausência nos outros onze meses do ano. A minha Vó é a mulher mais incrível do mundo, me ensinou sem ordenar o que meu pai não se deu ao trabalho de tentar me ensinar e minha mãe não conseguiu porque precisava trabalhar o dia inteiro. Ela me ensinou sendo exemplo a cultivar os sentimentos bons. Ela moldou o meu coração e o transformou em ambiente pleno. Me convenceu que uma vida sem ternura é uma vida incompleta e que fazer alguém feliz é o mais gratificante desafio da vida. A minha Avó me ensinou o amor na sua forma mais pura.

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