Naufrágio

Quando você acordar no meio da noite e sua mão tatear o lado esquerdo da cama, não sou eu quem ela encontrará. Quando você estiver bebendo todo o estoque de cachaça do Portuga, não é para mim que você vai ligar solicitando socorro imediato. Nos almoços de domingo, não será eu quem sentará na frente da sua mãe e elogiará o tempero maravilhoso dela. Quando o futebol começar, não será para mim que seu pai mostrará os lances incríveis do Corinthians. Sabe porquê? Porque juntos, somos pólvora adormecida a espera de uma única faísca.

Estamos bem e de repente pegamos fogo, esquecemos os porquês que nos levaram a estar juntos hoje. Você diz que eu não sei nada da vida. Eu digo que você tem um rei na barriga. Pronto! A faísca foi lançada – sem panos quentes a gente explode.

Depois de mais uma explosão,  saímos catando os pedaços de nós pela casa. Tentamos colar, dar um jeito – mas nessa altura do campeonato, já estamos tão  quebrados que não há cola que dê jeito. Não há carinho que nos remende.

O mais sensato é pular do barco e seguir sozinho até encontar terra firme.  Eu pulo primeiro – você vai diminuindo a cada braçada que dou. No fundo, sei que não vai se arriscar, você nunca soube nadar – Então da costa, te vejo naufragar. 

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