Eu não sinto nada

Eu queria sentir algo – qualquer coisa – que me fizesse lembrar que o melhor de mim, é exposto no auge da minha sensibilidade. Nem precisava ser todo aquele conjunto de sensações como de costume

Eu queria a ânsia de esperar pela sexta-feira, como quem espera por um show da banda gringa favorita. Queria ter vontade de largar o Netflix e por a minha melhor roupa com a certeza que voltarei para casa, com um cheiro que não é meu impregnado nela. Queria  qualquer coisa diferente daqueles beijos embriagados de sábado a noite com gosto de vodca.

Já faz um tempo que não sinto nada. É tudo tão superficial, tão perecível – como uma noite no boteco – vamos nos embrigado do outro. Rimos com / e do outro. No limite do porre, a gente adormece. No dia seguinte, sobra dor de cabeça e vontade de ir embora – caminhando de volta para casa, me questiono: em que momento deixei de sentir com voracidade?

Eu queria sentir qualquer coisa que despisse o meu corpo – que deixasse  minha alma exposta, sem medo de não encontrar o caminho de volta. Eu queria perder a noção do tempo e do espaço. Queria ver o mundo com olhos abobalhados e sorrisos de canto de boca. Queria um ataque de pensamentos avoados e essa coisa-louca-e-lúdica-de felizes-para-sempre.

Eu quero bastante coisa, mas por enquanto, ficarei com a sutileza de um café forte e um disco do Cartola. O querer é  o tipo de coisa que acontece repentinamente, vai que alguém bate na porta de casa me oferecendo uma xícara de açúcar com afeto.

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