Não seja um príncipe

Esqueça o cavalo branco, a coroa e a pose de príncipe. Respira! Deixa a barriguinha de chopp transparecer – eu não ligo, sério. Esqueça as flores, as declarações escancaradas e a exposição do sentimento ao público. Você não precisa gritar que me ama – seu olhar te entrega. Você me olha todo encantado até quando tento abrir – com dificuldade – o sache de catchup.

Não precisa ensaiar frases de impacto, nem fazer pose-de-intelectual-manjador-dos-paranuaê-complexos. Me leva para tomar um açaízão numa tarde de calor e, me conta aquelas histórias hilárias da sua família. Ah, não reprima os palavrões, pode xingar o motoqueiro que quase arrancou seu retrovisor na Vinte três de Maio. Nada mais libertador do que um ” Puta que pariu”!

Não tenha medo de zoar com a minha cara. Pode rir do meu tropeço nas palavras, da minha falta de jeito com direções e do modo como me emociono até com os quadros de superação da TV aberta. Tira sarro da minha cara quando derrubar  a metade do açaí na mesa, diz que eu pareço uma criança desastrada. Só não esquece de me beijar quando eu fizer aquela cara de brava, ok?

Não precisa vir pintado de melhor partido da cidade. Venha de cara limpa e amor no peito. Eu odeio príncipes encantados, eles são chatos. Venha com palavrões, suor, graxa, mau humor, puto, desarrumado. Venha em carne e osso, porque eu, cara: não levo o menor jeito para ser princesa.

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2 comentários sobre “Não seja um príncipe

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