Monstros

As vezes sinto um medo familiar. Um medo parecido com aquele que sentia quando precisava ir para a casa da minha Vó a noite. Antes de partir, olhava o pé enorme de manga que tinha no quintal de casa. O vento balançava as folhas, mas na minha cabeça fantasiosa de criança, jurava que era o Peti – um monstro de olhos esbugalhados, pele pegajosa, unhas enormes e com mais de dois metros de altura me espionando. A única maneira de fugir do Peti era correndo. Então eu corria, as vezes, de olhos fechado. Quando cansava, me escondia atrás da roseira – o Peti não gosta de rosas, começou a evitá-las depois que um espinho perfurou o seu dedo indicador. 

Hoje não vou para a casa da minha Vó a noite. Hoje, até sinto saudades do Peti. No mundo de gente grande o monstro não se esconde atrás das folhas, ele te encara. Olhos nos olhos. Você sente medo e chora. Chora pela dificuldade em amar de novo porque teve seu mundo encantado destruído. Chora porque talvez, esteja perdendo oito horas do seu dia fazendo algo que não o preenche. Chora porque não sabe o que fazer com a sua vida. Chora porque os anos rebeldes ficaram nas fotografias presas no seu mural – e por onde andam as pessoas das fotos?

Sinto medo do tempo – ele é insensível, não se comove com as minhas lágrima. Tic-tac, tic-tac…e, já choram a minha ausência.

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