Não mora mais ninguém aqui

Chego em casa e jogo as chaves em cima da mesa. Subo para o quarto e o barulho da porta abrindo, me faz companhia por alguns segundos. Troco de roupa e solto um grito estridente “tem alguém aí? “- ninguém responde. A minha voz vai ecoando por cada cômodo desse recinto. Não mora mais ninguém aqui! Tudo virou um. Um prato. Um travesseiro. Um Edredom. Um coração. Nesse lugar bagunçado ninguém mais entrou.

Paredes rachadas, pedem uma reformam urgente. Tudo prestes a desmoronar.

Cartas, fotografia, carícias e estranhos seguram o meu teto. Ele não caí, mas também  não ganha estabilidade. Uma linha tênue separa a minha racionalidade da minha insanidade. Tô enlouquecendo nesse silêncio torturante. ” Tem alguém ai?” – não tem ninguém em casa. O guarda-roupa ainda está com lado direito vazio.

A casa está cheia de ausência e receio. Há possibilidade de um novo inquilino chegar a qualquer momento, mas é provável que  se perca na bagunça da sala e não consiga chegar ao quarto. Já aconteceu antes. Não é mais novidade. É necessário um poder de arrumação e coragem ímpar para dar jeito nesse lugar. Aqui, reside fantasmas de outrora. Vez ou outra sentem-se entediados e vão dar uma volta, mas sempre voltam.

Aos olhos alheios esse lugar é o melhor para se viver. Eu sei fingir bem. Empurro a mágoa para embaixo do tapete. As lembranças ruins ficam atrás da porta. As expectativas frustradas deixo atrás da cortina. Na arrumação fajuta desse lugar,encontro um coração perdido, e a mim, só resta pedir desculpas.

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