O sopro

Feneceu feito o fogo de uma  vela que não resistiu ao sopro.

Fechou os olhos contra a vontade.

Estava sorrindo ontem, hoje não está mais entre nós. Assim, de repente.

O alvoroço aquietou-se, o barulho lá fora, foi silenciado.  A ausência vai dilacerando o peito enquanto o cérebro busca uma desculpa boa o suficiente para acalentar o coração.

Acabou. Não houve segunda chance. O amanhã não veio.

O “depois” é incerto, eu sei disso, você também, mas mesmo assim, preferimos acreditar que ele sempre virá, consequentemente postergamos sonhos, sentimentos, pessoas… “Amanhã peço desculpa”, “amanhã peço demissão do trabalho que só me rende doenças gástricas”, “amanhã eu digo que amo”, “amanhã eu abraço”, “amanhã eu sinto”.

A gente só acorda depois de um chacoalhão, depois de um tapa, depois  de um soco na boca do estômago que nos tira o ar.

Não há tempo, há o agora. Que tenhamos a coragem de fazer e sentir no presente. Que tenhamos a consciência do sopro repentino.

Imagem: Pinterest

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