MACHISMO NÃO EXISTE, NÃO!

(Atenção! Esse texto contém doses cavalares de ironia)

Para com isso, feminista de meia tigela. Que história mais chata, quanto mimimi, quanto vitimismo. Já deu, né? Vocês não querem direitos iguais, vocês querem é privilégio. Carregar saco de cimento no lombo, cês não querem não, né?

Eu nunca precisei do feminismo pra nada. NADA! Minha vida sempre andou sem esse movimento escroto.

Quando eu tinha dez anos, me incumbiram de todas as tarefas domésticas. Eu lavava a louça, varria a casa, passava pano no chão e tirava o pó dos poucos móveis que tínhamos enquanto meus irmãos – machos alfa – caiam no mundo. Me diziam: “Aaaah, mas você tem que aprender cedo, como é que você vai cuidar da sua casa, dos seus filhos? Homem não gosta de mulher preguiçosa não”. É, casamento é uma pauta muito importante pra uma criança de dez anos mesmo.

Meus irmãos não precisavam ajudar na casa porque isso é coisa de mulher, né? Além disse, há boatos de que algo místico está presente no cabo da vassourou, sério mesmo. Parece que se o macho tocar nele, vira fêmea, mulherzinha, maricas, veadinho. Nunca deixaram eles chegarem perto de um, havia um medo absurdo da misticidade citada a cima.

Ah, nesse mesmo período, presenciei diversas vezes o meu pai espancar a minha mãe, mas a culpa não era dele, ela que provocava. Meu pai costumava jogar um baralho maroto depois do trabalho, aproveitava pra tomar uma cachacinha e pegar umas mulheres, essas coisas de homem, sabe? O fato de ser marido, pai de família e ter mulher e crianças em casa, era algo irrelevante, na verdade, nem merecia espaço nesse texto. Ele costumava chegar no nosso lar doce lar de madrugada, minha mãe em vez de recebê-lo com o maior amor do mundo e oferecer uma massagem nos pés, optava por tirar satisfação. Puta absurdo! Mulher nenhuma deve levantar a voz para o marido. “Caralho! Cê bebeu de novo? Cê não tem jeito mesmo! Eu vou me separar de você!” Vixi! Era o sulfite pra um cruzado de esquerda derrubar ela. No dia seguinte, com olho roxo, ela enfatizava a asneira de separação. Mas ainda bem que havia pessoas lúcidas do nosso lado que a fazia entender que casamento é coisa séria, sagrada. Casou? Pois bem, agora vai ter que (sobre)viver seja lá como for. Desquite é coisa de vagabunda.

A minha mãe uma vez saiu com a ideia torta de que queria voltar a estudar. Sem noção total, né?! Óbvio que meu Vô brecou, rente ao rosto dela, esbravejou: “Mulher casada, tem que ficar em casa, cuidando dos filhos e do marido não tem nada que inventar de estudar, não”. Depois ele virou pro meu pai e falou: “Ó, se essa aí insistir nisso, pode arrumar outra mulher”. Ela não voltou a estudar, não naquele ano.

Enquanto minha mãe era presa, meu pai voava. O garanhão podia fazer o que quisesse, inclusive quebrar as promessas feitas “diante de Deus”. Um gato que nem meu pai não podia ser fiel a uma única mulher. As puladas de cerca eram totalmente compreensível. Ele deitou em tantas camas que acabou contraindo uma DST e passou pra minha mãe. Ela foi obrigada a passar por um tratamento foda, quase perdeu o útero, mas a culpa foi dela, por que não se preveniu, né?

Viu, feministas, eu e a minha mãe tivemos uma vida plena. Não precisamos de um movimento que briga por direitos igualitários e pelo empoderamento feminino, a gente tem é que se pôr no nosso lugar – na cozinha pilotando fogão.

Ah, todo mundo sabe que por trás desse lenga-lenga tem um plano mirabolante de dominação do mundo. Eu sei que na calada da noite, vocês estão trabalhando na construção de um puta porão onde manterão a machadara em cárcere privado, suas loucas!

Obs.: Minha mãe se separou, voltou a estudar, mudou de estado, conseguiu um emprego, criou três filhos sozinha, conheceu um cara bacana, se sustenta, sobretudo, hoje é livre para fazer o que quiser e quando quiser. Tentaram acorrentá-la, mas meia dúzia de feministazinhas a convenceram que ela era muito maior e que não merecia viver naquela vidinha medíocre, ela acreditou e voou e voa. Hoje minha mãe é a vagabunda mais feliz que eu respeito e admiro.

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