Quando você me disse adeus

No primeiro dia parecia que estava anestesiada. Meu coração batia lentamente, quase parando. Meu corpo não respondia aos chamados externos. Meu espirito me abandonou, ele não queria ser testemunha do que faria de mim agora, que você largou a minha mão.

No segundo dia me embriaguei. Bebi sem limites, antes mesmo de acabar a décima primeira, já levantava a mão sinalizando ao garçom que trouxesse a décima segunda. Minha mãe até quis me levar na igreja, disse que essa minha bebedeira era coisa do capeta e que Deus iria me salvar.

No terceiro dia meu melhor amigo ligou me chamando para dar uma volta, disse não logo de primeira, não estava afim de ir nem na cozinha pegar um copo d’água, imagina dar uma volta em Sampa. Trinta minutos depois que desliguei o telefone, ouço um louco gritando no meu portão “ Raaaaaani baby, já está pronta?” Era meu amigo, ele sempre ignora o meu não. Fui obrigada a sair com ele. Nessa noite conhecemos a galera das artes, um pessoal que fazia teatro e se apresentava na Praça Roosevelt, fiquei tão encantada que quis me matricular num curso de artes cênicas.

No quarto dia decidi arrumar o quarto e a vida. Arrumei a cama, o guarda roupa e tirei nossa foto da minha cômoda.  Não joguei fora, não se joga fotos nem sentimentos no lixo, guardei numa caixa e deixei no quartinho da bagunça.

No quinto dia levantei cedo, me matriculei na academia, na oficina de teatro e consegui um emprego novo. Em cinco dias perdi a vontade de viver. Morri, fui ao inferno e ressuscitei. Em cinco dias desejei nunca ter amado. Em cinco dias tive o coração feito em mil pedaços e fui obrigado a cola-los sem super bonder, mas colei-os e continuei vivendo, com uma certa dificuldade, mas ainda assim, vivendo!

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Tô com dor, manhê

De uns tempos pra cá, comecei a acreditar que Deus presenteia as mulheres com superpoderes quando elas se tornam mães. Explico: A dona Duda, minha mãe, consegue descobrir o que sinto só de olhar para mim. Outro dia eu estava na sala girando uma caneta na mesa – tenho a mania de girar objetos numa superfície qualquer quando não estou bem. Minha mãe parou a caneta, tirou das minhas mãos inquietas e perguntou:

– Ei, o que você tem?

– Tô com dor.

– Xiiii! Enxaqueca de novo?

– Não, acho que é dor-de-ideia.

Nesse momento ela aproximou-se de mim, começou a me cheirar e indagou:

– Raniele, você bebeu?

– Não né mãe. Comprei um livro daquele autor que gosto, sabe? O Rubem Alves? Numa crônica ele falava sobre a “dor-da-ideia”.  Essa dor se manifesta quando cogitamos a possibilidade de perder algo muito importante. É a ideia de perder o emprego, a ideia de perder alguém que amamos, a ideia de ir para o inferno – dizem que lá é muito quente e eu detesto calor.  A dor-de-ideia dói mais que a dor física, nem seu super xarope consegue curá-la.

Minha mãe me olhou por alguns instantes com olhar de “ Que porra é que essa menina tá falando?” e perguntou:

– Mas você está com medo de ir para o inferno?

– Não mãe, ir para o inferno nem é problema. Você vive dizendo que eu sou amarela, se porventura eu for morar com sete-peles aproveito para levar o biquíni e pego aquele bronzeado –  já estou no inferno mesmo não custa nada ficar da cor do pecado.

Nesse momento ela gargalhou e disse que não dava para me levar a sério. Enquanto ela terminava o jantar, fui tomar banho. Lá ninguém interrompe os meus pensamentos.

Liguei o chuveiro e comecei a pensar: se nem o super xarope da minha mãe sabor baunilha consegue curar essa maldita dor, como iria me livrar dela? Eis que, a minha voz interior resolve dar o ar da graça:  “ Rani, a dor-da-ideia é incurável  ela irá te atormentar durante toda sua vida, mas não se desespere, dá pra amenizar os danos. Você só precisa ser mais segura, acreditar no seu potencial, aceitar que algumas coisas fogem do seu controle e que você não deve se crucificar por causa disso, não carregue a culpa que não é sua. Se possível não se estresse. Stress dá rugas, tenho certeza que você não vai querer gastar rios de dinheiro com cremes para retardar o envelhecimento, não é?”

Todo mundo chora

Quando era criança tinha a mania de observar os adultos com olhos de admiração. Contava as horas para me tornar um deles. Não, eu não era uma criança entediada com a infância, pelo contrário, aproveitei cada segundo dela na casa da D. Nilza. Mas é que, aqueles adultos pareciam sempre tão felizes, até desconfiava que eles não tinham lágrimas. Eu? Eu aos 8 anos era uma chorona. Minha mãe me olhava torto, chorava. Quando a Vó esquecia meu papa o berreiro começava. Se eu descobrisse que o Vô tinha dado mais dinheiro aos meus irmãos, o bico já se manifestava.

Eu queria crescer e blindar o meu lado sentimental. Adulto não chora. Adulto tem super poderes.

Bem, hoje tenho 22 anos, uma adulta! Aprendi um montão de coisa. Me formei, entrei no mercado de trabalho, amei, tive alguns relacionamentos conturbados, construí laços indestrutíveis com algumas pessoas e chorei muito.

Sabe gente, me enganei, adulto chora sim! só que por algum motivo que ainda não descobri, gente grande chora escondido, reprime o choro, diminuí o grito e aumenta o nó na garganta.  Adulto é meio trouxa, prefere chorar no banho, antes de dormir, ou em qualquer outro lugar distante de olhares piedosos. Quando a gente cresce nos ensinam que lágrima é sinal de fraqueza. Estranho, sempre achei que chorar fosse o mais próximo que eu conseguiria chegar da essência humana.

Sabe gente, agora vou contar outro segredo, não cresci. Ainda choro e as vezes eu até esperneio. Choro pelo ex amor da minha vida, choro pela nota ruim na faculdade, choro pela oportunidade de emprego perdida, choro pela distância que me impede de abraçar minha Vó, choro pela dor do meu amigo, choro por pessoas que perdi no tempo.
Choro! E choro de soluçar… Porque chorar faz bem para alma. Depois da última lagrima levanto do sofá, sacudo a poeira e vou a luta. O espirito está purificado e pronto para um novo desafio.

Aaaah, a paixão! Essa montanha Russa…

Atire a primeira garrafa pela janela quem nunca se apaixonou na vida. É meu querido, basta uma gentileza, uma demonstração de cuidado, ou um olhar fixo por 5 segundos e lá está você, caindo de amores.

A minha última paixão tem olhos castanhos claros incríveis, era quase impossível não perder os sentidos quando eles cruzavam os meus. Taquicardia, tremeliques, borboletas no estomago (não eram exatamente borboletas, mas algo acontecia cada vez que nos encontrávamos por acaso) não entendia como o resto do mundo não desejava aqueles olhos, eles são irresistíveis. Passava a metade do meu dia ouvindo Nando Reis e planejando como seria a minha vida agora, que conheci o mais novo amor da minha vida. Ficava impressionadas com alguns textos do Caio Fernando Abreu, ele parecia descrever exatamente o meu estado emocional quando pensava em nós. Era uma loucura!

Usei o “ era” porque antes mesmo de me declarar, o sentimento pluft! Desapareceu da mesma forma que surgiu. Comigo sempre foi assim, sabe? Tudo muito intenso e pouco duradouro. Hoje, amo como se fosse a última vez. Amanhã, penso numa desculpa para dispensar o amor da minha vida de uma forma que não doa, mas sempre dói, né?

Bom, toda essa loucura sentimental me fez chegar à seguinte conclusão: Estou emocionalmente indisponível! É, sabe quando o jogador de futebol quebra a perna e é impedido de jogar? Pois bem, meu coração também está suspenso e não poderá jogar as próximas partidas.

Sabe gente, as vezes parece  amor, mas é só carência e carência passa mais rápido que a minha ressaca. As vezes ele parece o melhor partido da cidade, mas é só nossa imaginação nos trollando. E as vezes a gente pensa que, é impossível viver só, mas é só mais um teste da vida, você precisa lidar com o impar para intender o par.

Só sofre de amor quem não gosta de cerveja” – Será?

Outro dia estava tomando uma cerveja quando, ouvi a seguinte frase: “Só sofre de amor quem não gosta de cerveja”. Pensei: Será, mesmo?

A boêmia começou a fazer parte da minha vida depois de um pé na bunda. É meus amigos, quem vê minhas fotos sorrindo no instagram hoje, nem imagina a mendiga sentimental que eu era. Foi difícil. Doeu. Na verdade dilacerou, até pensei que morreria, mas que bobagem a minha, a gente nunca morre. Então, eu fiz o que todo recém “solteiro forçado “faz, bebi. Bebi tanto que tive medo do meu sangue virar álcool. Enquanto bebia, dava risada com meus amigos e aos poucos ficava levemente alterada, esqueci a ferida que se formou em meu peito . Talvez o cara estranho e aparentemente embriagado no bar tivesse razão, talvez álcool seja o Merthiolate para a dor do amor. Estava prestes a concordar com ele e voltar a interagir com meus amigos na mesa quando lembrei do sábado de manhã. O sábado que você acorda com gosto amargo da ressaca na boca. Aquele sábado que você  olha no espelho e não se reconhece.  Olheiras, cabelo bagunçado e ainda usando as roupas da noite anterior.  Você chegou tão bêbado em casa que nem conseguiu pôr o pijama. Então, você pega o celular na esperança que um milagre venha em forma de sms, mas nada acontece. Em dias assim, nem a operadora te manda mensagem oferecendo o plano que é sua cara.

Cheguei a seguinte conclusão: não há milagre! Todo mundo sofre de amor, bebendo cerveja ou não. Isso é tão natural quanto tropeçar na rua. Você sentirá saudades, tudo ao seu redor te fará lembrar daquele sujeitinho (a) que largou sua mão no maior ato de crueldade.  Você chorará horrores no seu quarto ouvindo” I need you now – lady antebellum”. Mas para sua alegria, tudo nessa vida passa. Com o tempo você começa a observar a situação com menos drama e mais racionalidade. Percebe que vocês nem se davam tão bem assim e que algumas coisas foram feitas para não darem certo, mas você precisava passar por isso para se tornar um ser humano emocionalmente maduro.

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Naaaasceu!

Avisa lá, avisa a todo mundo que mais um blog bacaninha acabou de ser criado. Meu primeiro filho é sagitariano e tem o nome de ” Disseram no bar”. Sim, postarei tudo sobre a boemia visto pelos olhos da Rani.

Espero que gostem!

Um beijo.

Rani